O esqueleto cardíaco é composto por uma estrutura de tecido fibroso ou fibrocartilaginoso que envolve os óstios atrioventriculares e semilunares. Inclui os trígonos fibrosos direito e esquerdo e oferece suporte às válvulas e camadas musculares. Também se estende para as raízes da aorta, do tronco pulmonar e para a parte membranosa do septo interventricular.
Irrigação Sanguínea
O coração é irrigado pelas artérias coronárias direita e esquerda, originadas nos seios de Valsalva direito e esquerdo, respectivamente. Os óstios dessas artérias geralmente têm diâmetros entre 2 e 5mm e estão localizados no centro do seio correspondente, aproximadamente a meio caminho entre as comissuras. Em cerca de 1% dos casos, os óstios podem variar em número ou posição.
Artéria Coronária Direita
A artéria coronária direita tem origem no seio de Valsalva direito e segue um trajeto curto até alcançar o sulco atrioventricular direito. A partir daí, emite ramos para frente, como os ramos conais ou infundibulares, que se dirigem ao infundíbulo, e os ramos marginais direitos na borda aguda do coração. Os ramos posteriores seguem em direção aos átrios, principalmente ao direito, e ao sistema de condução. Em até 58% dos casos, a artéria do nó sinusal se origina da coronária direita. Após ultrapassar a margem, a coronária direita segue para o sulco interventricular posterior e à crux cordis, com os ramos interventricular posterior e ventricular posterior. Na maioria dos casos, o ramo ventricular posterior dá origem ao ramo do nó atrioventricular, que irriga o mesmo.
Artéria Coronária Esquerda
A artéria coronária esquerda se origina no seio de Valsalva esquerdo, seguindo um trajeto posterior ao tronco pulmonar. O tronco da coronária esquerda se bifurca em ramo interventricular anterior e ramo circunflexo. O ramo interventricular anterior segue o sulco interventricular anterior em direção à ponta do ventrículo esquerdo, podendo estender-se até o sulco interventricular posterior. Ele emite os ramos interventriculares septais, que irrigam a parte anterior do septo interventricular, e os ramos diagonais, que irrigam a parede lateral alta do ventrículo esquerdo e alguns ramos para o infudíbulo do ventrículo direito, os ramos do cone. O ramo circunflexo posiciona-se no sulco atrioventricular esquerdo, seguindo um trajeto paralelo à veia cardíaca magna. Às vezes, origina a artéria do nó sinusal, em cerca de 30% dos casos. Na parede lateral, emite os ramos marginais esquerdos e ventriculares posteriores, à medida que se aproximam do sulco interventricular posterior.
Padrões de Dominância
A distribuição da circulação coronariana varia de coração para coração. Para padronizar esta distribuição, utiliza-se o conceito de dominância, que determina qual a artéria dominante em relação à parede posterior e a região da crux cordis, que é a interseção entre os sulcos atrioventricular e interventricular posterior.
Drenagem Venosa
O coração é drenado por veias que desembocam no seio coronário e por veias que desembocam diretamente nas cavidades. O seio coronário situa-se no sulco coronário, entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo e desemboca no átrio direito. Recebe as seguintes veias tributárias: veia cardíaca magna, que acompanha o trajeto do ramo interventricular anterior da coronária esquerda e se desloca ao longo do sulco atrioventricular esquerdo e recebe a veia marginal esquerda; a veia posterior do ventrículo esquerdo; a veia média do coração, que sobe no sulco interventricular posterior; a veia pequena do coração, da margem direita do ventrículo direito e a veia oblíqua do átrio esquerdo. As veias diretas incluem dois ou três pequenos vasos, as veias cardíacas anteriores, que drenam a parede anterior do ventrículo direito, drenando diretamente no átrio direito, e as veias mínimas do coração, que se originam nas paredes do coração e drenam diretamente nas cavidades, principalmente nos átrios.
Drenagem Linfática
Os capilares linfáticos drenam para vasos situados no epicárdio, onde seguem as artérias coronárias e terminam nos troncos coletores direito e esquerdo. O tronco direito dirige-se para os linfonodos mediastinais superiores, o tronco esquerdo atinge o linfonodo da veia cava do grupo traqueobrônquico superior, entre a aorta e a veia cava superior.
Inervação
O coração é inervado por fibras nervosas autônomas e fibras sensitivas dos nervos vagos e dos troncos simpáticos. Muitas células nervosas estão presentes nos átrios, próximas aos nós e às veias, e nos ventrículos. Estas células, na maioria parassimpáticas, ocorrem tanto no miocárdio quanto no epicárdio. Também se encontram no coração terminações nervosas sensitivas, especialmente nos átrios, junto aos óstios das veias e na parede das grandes veias.
Sistema de Condução
O sistema de condução consiste em fibras musculares especializadas que conduzem os estímulos para a contração das fibras musculares cardíacas. Compreende o nó sinusal, o nó atrioventricular, o feixe atrioventricular com seus dois ramos e os plexos subendocárdicos de fibras de Purkinje. O impulso começa no nó sinusal, ativa a musculatura do átrio e é conduzido ao nó atrioventricular, através dos feixes internodais anterior, médio e posterior. O feixe atrioventricular, seus dois ramos (direito e esquerdo) e as fibras de Purkinje conduzem o estímulo até o miocárdio ventricular.
Nó Sinusal
O nó sinusal situa-se na região anterolateral da junção da veia cavasuperior no átrio direito, próximo à extremidade superior do sulco terminal, logo abaixo do epicárdio. Contém uma rede de fibras especializadas, inervada por fibras autônomas, que se torna contínua com as fibras musculares do átrio.
Nó Atrioventricular
O nó atrioventricular está localizado no trígono de Koch, formado pelos limites da cúspide septal da valva tricúspide, do óstio do seio coronário e do tendão de Todaro. Constitui-se em uma rede de fibras especializadas que tem continuidade com as fibras musculares atriais e com o feixe atrioventricular. O nó recebe fibras nervosas autônomas.
Feixe Atrioventricular
O feixe se inicia no nó atrioventricular e dirige-se para cima, no trígono fibroso direito, em direção à porção membranosa do septo interventricular. Deste ponto divide-se em ramos direito e esquerdo, os quais cavalgam a porção muscular do septo. O ramo direito se dirige em direção apical, penetra na trabécula septomarginal e atinge a parede ventricular e músculo papilar anterior. Suas fibras formam um plexo subendocárdico de fibras de Purkinje nos músculos papilares e na parede do ventrículo direito. O ramo esquerdo, que consiste em um a três feixes, dirige-se para a região apical, imediatamente abaixo do endocárdio da face esquerda do septo interventricular, atingindo os músculos papilares, ramificando-se no subendocárdio como um plexo de fibras de Purkinje.




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